Rede Globo e a manipulação na vida dos brasileiros

Fonte: http://www.escrevinhador.com.br

A TV e o poder

A Globo e um golpe no futebol brasileiro

 

publicada quinta-feira, 03/03/2011 às 16:31 e atualizada quinta-feira, 03/03/2011 às 16:26

 

por Gésio Passos*, do Intervozes

Fevereiro de 2011. Este mês será lembrado como marco do retrocesso do futebol brasileiro. Será mais um símbolo da força que a Rede Globo exerce sobre o povo brasileiro. E poderia não ser dessa maneira. Se o futebol brasileiro fosse tocado por pessoas sérias, fevereiro de 2011 poderia simbolizar a guinada ao primeiro mundo do futebol. A capitalização do futebol pelos recursos da disputa pelo direito de transmissão do Campeonato Brasileiro significaria um novo período de bonança para os clubes de futebol: manutenção e retornos dos craques, atração de estrangeiros (principalmente dos craques latinos), a internacionalização do nosso futebol e a concorrência contra os gigantes clubes europeus. Isso tudo viria da organização do futebol brasileiro para seu desenvolvimento.

E é claro que vale ressaltar que isso só poderia ser possível depois que o Estado brasileiro impediu a continuidade do monopólio das transmissões de futebol.No final do ano passado, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica – órgão responsável por coibir abusos de poder econômico) acabou com a exclusividade da Globo sobre o contrato de transmissão dos jogos, obrigando o Clubes do 13 a abrir uma concorrência pública para os direitos de transmissão nas mais diversas mídias. Tudo caminhava de maneira bem transparente, os clubes prepararam um edital, ouviram os interessados e esperavam arrecadar uma soma bilionária para os campeonatos de 2012 à 2014. Mas as coisas não seriam tão simples. A Rede Globo não aceita que seus interesses sejam contrariados, nunca aceitou. E isso não é só no esporte, é na política, na economia, na cultura nacional. Em conluio com a CBF (Confederação Brasileira de Futebol), ela acaba de destruir o Clube dos 13. Agindo nas sombras, sabe-se lá com quais metodos de “convencimento”, a Globo impediu que a “união dos grandes clubes brasileiros” pudesse democraticamente promover a concorrência e a livre negociação do seu maior produto, o Campeonato Brasileiro.

Um pouco de história

A Globo não aceita perder sua influência na vida dos brasileiros. A Rede Globo rejeita a democracia, rejeita a legalidade, rejeita os interesses públicos. E isso não é de hoje. É bom nesse momento recordar a forma com que a Globo construiu seu império midiático. A Globo só chega hoje onde ela chega, com seu “padrão de qualidade”, influenciando a vida de todos os brasileiros, porque ela se aproveitou de todas as benesses de quem teve o poder no Brasil. A Globo só deixou de ser um grupo pequeno carioca (com um jornal e uma rádio) para se agigantar com a ditadura militar. De forma ilegal, ela se aliou ao grupo americano Time Life para a construção da TV Globo em 1962, com um aporte de 6 milhões de dólares (até 2002, era proibida a presença de capital internacional nas empresas de comunicação brasileiras). Depois de descoberta a maracutaia, a Globo desfez o acordo, mas já era tarde para a concorrência. Com o apoio dos militares, a Globo fez parte do projeto de integração nacional pelas telecomunicações, construindo a sua rede nacional de emissoras e chegando a todo país. A Globo foi um dos pilares para os 20 anos de ditadura militar no Brasil.

No processo de redemocratização do país, a Rede Globo só “abraçou” a mobilização popular quando a queda dos militares era iminente. A emissora não cobriu as diversas mobilizações pelas “diretas já”, chegando até o clássico caso do comício que reuniu milhões na Praça da Sé, em São Paulo, e a Globo noticiou que estava acontecendo uma comemoração do aniversário da cidade, enquanto os outros canais entravam com flash ao vivo das manifestações. Este foi um dos motivos da existência da palavra de ordem “o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”. Isso sem contar outros casos como a manipulação do debate entre Lula e Collor em 1989, o apoio às privatizações e ao governo FHC e o ataque sistemático ao governo Lula. Além disso a Globo nega e impede qualquer proposta de regulação pública e debate público sobre as comunicações no país. Ela agiu contra a criação da Ancinav (agência que regularia o audiovisual brasileiro) em 2004, se negou a participar da Conferência Nacional de Comunicação e rejeita qualquer mudança na caduca legislação do setor. E assim a Globo mostra como ainda é uma das instituições mais poderosas do país. Apesar de que ao longo dos anos ela vem perdendo sua audiência e a influência na população brasileira.

A desmoralização das instituições

Hoje a Rede Globo está em confronto aberto com a Rede Record e seu mantenedor, o bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus. A Globo ainda se vê cada vez mais acuada pela convergência das mídias, com as jamantas das empresas de telecomunicações avançando pela TV por assinatura, internet e distribuição de conteúdos. E, nesse cenário, porque ela iria respeitar uma determinação antimonopolista do Cade?

Para a Globo, a lei, a regulação, o interesse público sempre foram detalhes a serem esquecidos. E a atual disputa pelos direitos de transmissão é um caso notório. A Globo e o Clube dos 13 assinaram um Termo de Compromisso de Cessação em outubro de 2010 concordando com o fim da preferência na compra do campeonato e a venda separada por mídias. O Clube dos 13 cumpriu sua obrigação, mas a Globo não. Ela preferiu, à sua maneira corriqueira de agir, com um golpe. E sem nenhum constrangimento. Em nota oficial, a Globo afirma que é contra o edital do Clube dos 13, alegando que a existência da concorrência entre as emissoras e a separação do edital por mídia (TV aberta, TV por assinatura, PPV, internet, celular) inviabilizaria seu modelo de negócio. A Globo ainda publicou anúncios em todo país afirmando que está agindo em respeito ao torcedor. Ela desmoraliza o acordo com o Estado brasileiro e ainda tripudia da população.

Mas a emissora da família Marinho não aceita perder o jogo. Sua jogada é simples, rachar o Clube dos 13 e negociar individualmente com os clubes, em uma clara tentativa de manobra do acordo com o Cade. Corinthians, Flamengo, Botafogo, Fluminense, Vasco, Cruzeiro, Coritiba, Grêmio e Palmeiras e Santos já se submeteram ao poder Global e anunciaram não aceitar as negociação realizada pelo Clube dos 13. Apenas São Paulo, Atlético Mineiro, Internacional resistem até a abertura dos envelopes dos editais, em 11 de março. Em reunião com o presidente do Clube dos 13, nesta última terça-feira, o presidente do Cade, Fernando Furlan, disse que um provavél acordo entre os clubes e a emissora poderá ser alvo de um outro processo no órgão. Enquanto isto, Fábio Koff, presidente do Clube dos 13 ainda insiste em dizer que a entidade ainda tem a prerrogativa de negociar os direitos de transmissão de seus associados. Oficialmente, apenas o Corinthians confirmou sua retirada do C13. A desmoralização do futebol brasileiro segue em ritmo acelerado.

*Gésio Passos é jornalista e militante do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social.

 

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Rede Globo e a manipulação no futebol

Fonte: http://www.vermelho.org.br

2 DE MARÇO DE 2011 – 16H20

Luis Nassif: o fim do domínio absoluto da TV Globo

Há uma frase de Churchill: “Não se consegue a vitória apenas com recuos bem sucedidos”. Vale para a manobra da Globo para anular o Clube dos 13 e negociar diretamente com os clubes os direitos de transmissão dos jogos do Campeonato Brasileiro, quando percebeu que seria derrotada pela Record em um leilão. Fez o recuo. E, agora, cadê o avanço?

Por Luis Nassif, em seu blog

Durante 40 anos a Globo consolidou um domínio na audiência da TV aberta, em cima de alguns pilares centrais: a rotina nas novelas e o controle absoluto sobre as transmissões de futebol, sustentado por práticas anticoncorrenciais. Para consolidar essa distorção, a Globo sempre procurou se posicionar acima dos partidos políticos. Era como se fosse o quarto poder da República.

Quando Roberto Marinho saiu de cena e terminou a era Evandro Carlos de Andrade, cedendo lugar à inexperiência truculenta de Ali Kamel, o modelo começou a ruir. A proverbial habilidade política da Globo cedeu lugar a fantasias de derrubar presidentes, eleger presidentes e atuar como partido político. Perdeu o status institucional. E aí aparentemente o Cade (Conselho Administrativo de Direito Econômico) foi liberado para fazer valer a lei, obrigando a uma disputa limpa pelos direitos de transmissão

Ao longo de décadas, a Globo montou uma rede de relacionamento informal, não com os clubes mas com os dirigentes, fechando os olhos para seus negócios paralelos. Obviamente a proteção trazia implícita a mensagem de que dependeria das relações de lealdade.

A Record entrou no jogo com a ingenuidade de achar que poderia montar relacionamentos com os clubes da noite para o dia e confiar na palavra dada pelos dirigentes. Quando percebeu a extensão do jogo, e a puxada de tapete de alguns dirigentes, começou a preparar matérias de denúncias. Soou mal.

Só que o acordo com a Record – R$ 550 milhões para o Clube dos 13 – renderia R$ 42 milhões para o Corinthians. Com a proposta da Globo, cairá para R$ 20 milhões. Como os presidentes irão se explicar? No contrato assinado com o Clube dos 13, a Record se dispôs até a dar uma vantagem de 10% para a Globo: ou seja, com até 10% de diferença, o lance da Globo poderia ser vencedor. A Globo não aceitou: queria 30%.

Mesmo assim, não haverá como a Globo justificar a perda de receita dos clubes, caso fechem com ela. Antes, a Globo comprava todo o conteúdo do campeonato. Agora, o Clube dos 13 decidiu que o conteúdo é dele, que o revenderá de forma segmentada, para emissoras abertas, para TV a cabo, para Internet.

Só o Portal Terra – do grupo Telefonica – parece disposto a pagar R$ 100 milhões pelos direitos na internet; a Record mais R$ 550 milhões apenas pelos direitos para TV aberta, por apenas dois jogos por semana: um às 20h30 de quarta-feira, outro aos sábados ou domingos. E a Globo pretende pagar apenas R$ 250 milhões por todo o conteúdo, para todas as mídias.

Seja qual for o resultado, o episódio marca o fim de uma era de predomínio das Organizações Globo. Continuarão influentes, mas não mais com o poder absoluto. E cada dia de vida, pelo visto, será um dia a mais para a Record. E um dia a menos para a Globo.

 

TV do Aécio é multada em R$3,8 milhões pelo Ministério Público do Trabalho

Fonte:http://www.pgt.mpt.gov.br

MPT executa multa de R$ 3,8 milhões contra a Rede Minas


Emissora contrata indiretamente 382 repórteres, cinegrafistas, editores, produtores


Minas Gerais (MG), 2/3/2011 – O Ministério Público do Trabalho ajuizou ação na Justiça do Trabalho para cobrar multa  de R$ 3,8 milhões da Rede Minas, por não cumprimento de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), assinado em julho de 2004, pelo qual a emissora se comprometeu a acabar com a terceirização de empregados da atividade-fim.

A ação de execução foi proposta com base em relatório de fiscalização feito pela auditoria fiscal do Trabalho. Na inspeção, realizada em outubro de 2010, os auditores constataram que a Rede Minas funciona com 30 empregados comissionados e nenhum empregado com registro. Todos os 382 repórteres, produtores, editores, chefes de reportagem etc, que trabalham para colocar a emissora no ar, são empregados da Associação de Desenvolvimento da Radiodifusão de Minas Gerais – ADVT.

Segundo o procurador do Trabalho que investiga o caso, Geraldo Emediato de Souza, a emissora baniu a terceirização via cooperativa, uma fraude presente em 2004, quando o TAC foi assinado e, já no final de 2005, adotou outro expediente para se safar da obrigação de contratar diretamente os trabalhadores que executam sua atividade-fim.

“Por meio de um “Termo de Parceria”, a emissora contratou a ADVT, que funciona nas dependências da Rede Minas e possui o mesmo objeto social, para lhe fornecer a mão-de-obra de que necessita. Desta forma, a emissora pratica três graves irregularidades: não promove concurso público como determina a lei, realiza sua atividade-fim por meio de empregados de terceiros, dispõe de verba pública sem o devido trâmite legal”, salienta Geraldo Emediato.

Ja de início o contrato envolveu despesas de R$ 17 milhões para a Rede Minas. Aditivos do contrato feitos reiteradamente implicaram despesas altíssimas, R$ 21 milhões, 11 milhões, com a ADTV para pagamento de pessoal e demais encargos, alega Emediato.

Na ação, o procurador pede que a Justiça condene a Rede Minas a cumprir as obrigações de contratar empregados mediante prévia aprovação em concurso e abster de contratar empregados por intermédio de interposta pessoa. Pede ainda o pagamento da multa de R$ 3.820.00,00.

Processo no MPT: PA oo22.2003.03.000/3