A Globo e suas artimanhas.

Fonte: www.vermelho.org.br

 

Conservadores x “esquerda”: o negócio do jornalismo televisivo

 

Um fato no mínimo curioso aconteceu na semana que passou no jornalismo televisivo dos Estados Unidos. Keith Olbermann, o mais radical entre todos os opinativos âncoras — considerados de esquerda da MSNBC —, foi suspenso por ter feito contribuições financeiras a candidatos democratas na eleição do dia 2 de novembro.

Por Eliakim Araujo, no Direto da Redação

 

Segundo a direção da emissora, ele infringiu regras internas que não permitem doações partidárias, aparentemente, porque caracterizariam uma tomada de posição. Ora, certamente essas regras já deveriam ser letra morta há muito tempo, desde que os canais MSNBC e FOX deixaram de lado o compromisso de transmitir notícias com isenção e transformaram o jornalismo televisivo em um negócio rentável com base na opinião de Olbermann, Rachel Maddow e Chris Matthews (MSNBC) e Glenn Beck, Sean Hannity e Bill O’Reilly (FOX).

Esses seis âncoras, comentaristas, jornalistas, ou seja lá que nome se queira dar à função que desempenham, se transformaram hoje em armas na guerra entre as duas organizações que amealham grandes lucros com suas análises e comentários decididamente parciais. Cada uma delas optou pela conquista de um segmento.

A FOX, do magnata australiano, Rupert Murdoch, é ostensiva e abertamente republicana, de oposição sem trégua ao governo Obama. Aparentemente lidera a disputa pela audiência entre as emissoras de notícias da TV a cabo. Pesquisa de 2009 indicava que o sinal da emissora entrava em 102 milhões de lares americanos. Seus comentaristas tiveram participação decisiva na recente vitória republicana na eleição de meio de mandato.

Em sentido contrário, trafega a MSNBC – que surgiu de uma parceria entre Microsoft e NBC, embora hoje a empresa de Bill Gates tenha apenas 18% das ações – que resolveu investir no público de pensamento democrata e seus âncoras são considerados de “esquerda”. Em 2009 era vista em 78 milhões de lares.

Para o público, existe assim a possibilidade de escolher as notícias de acordo com seu gosto pessoal. Se quiser a notícia vista sob uma razoável perspectiva de objetividade e credibilidade, não vai encontrar nessas duas redes de TV a cabo. Nem uma nem outra fazem questão de disfarçar, nem tentam. São assumidamente direita/conservadora/republicana uma, e esquerda/progressista/democrata a outra. Ambas faturando alto com o negócio do jornalismo televisivo. O telespectador ouve aquilo que ele quer ouvir.

Por isso mesmo, quando Olbermann, que faz a cabeça de um milhão de telespectadores todas as noites na MSBNC, foi suspenso por fazer contribuições a candidatos democratas, soou como incoerente a atitude da emissora cujo faturamento se baseia exatamente na opinião direcionada de seus jornalistas. Parece, entretanto, que os chefões da MSNBC perceberam seu erro a tempo, sobretudo depois que um abaixo-assinado na internet recolheu 600 mil assinaturas pedindo a volta de Olbermann. E a suspensão que era, em princípio, por tempo indeterminado não durou mais que três dias.

Se o leitor me perguntar se há alguma semelhança entre esse jornalismo comprometido com o jornalismo televisivo praticado no Brasil, eu responderia com absoluta segurança que não há nenhuma. MSNBC e FOX assumiram desavergonhadamente a notícia como um negócio. Ponto.

No Brasil, a Globo, por exemplo – cito apenas ela porque as demais não são ainda uma referência em termos de público –, engana o telespectador diariamente fingindo-se de imparcial, quando na verdade, e sabidamente, edita o material jornalístico de acordo com sua conveniência e seus comentaristas são pagos para serem a voz dos donos e nenhum deles tem peito de contrariá-la, o que não deve ser problema para eles porque tudo indica que pensam da mesma maneira.

Ao telespectador brasileiro, portanto, resta conviver com as artimanhas e/ou interesses comerciais e políticos da Globo, que jogou pesado contra a candidata Dilma durante toda a campanha, e se mostrou dócil e simpática com a presidente Dilma na edição do JN no dia seguinte à eleição.

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