Razões para não votar em Serra – intolerância com jornalistas dissidentes

Fonte: http://observadoressociais.blogspot.com

No passado os jornalistas dissidentes terminavam assim. Este tempo voltará?

Por Cléber Sérgio de Seixas

Qualquer observador atento do comportamento da mídia corporativa concordará que nessas eleições a mesma engajou-se na missão de eleger Serra presidente. Recentemente, estive numa palestra na PUC MG na qual as duas palestrantes, ambas professoras daquela faculdade, afirmaram categoricamente que a grande mídia está a favor do candidato tucano.

O candidato à presidência José Serra está tão acostumado a ser bajulado pelos grandes meios de comunicação, que quando suas idéias são confrontadas, ou quando os defeitos de sua administração à frente do governo paulista são expostos, se irrita e perde a compostura.

No primeiro debate do segundo turno, realizado pela TV Bandeirantes, Serra ficou visivelmente transtornado com as investidas de Dilma Rousseff , a ponto de a certa altura começar a tremer. Ficou devendo em vários momentos, preferindo tergiversar, como destacou Dilma muitas vezes durante o debate, a responder claramente algumas perguntas mais incisivas que lhe foram feitas pela candidata petista.

Com base em fatos recentes, não seria surpresa se Serra mandasse calar jornalistas ou processar blogs e jornais caso chegasse à presidência da República. Basta lembrar ao leitor nomes como Luís Nassif, Heródoto Barbeiro e Gabriel Priolli para que se tenha uma idéia da suposta posição do ex-governador de São Paulo com relação à liberdade de imprensa. Barbeiro foi, sob circunstâncias ainda nebulosas, afastado do cargo de apresentador do Roda Viva da TV Cultura após ter feito uma pergunta embaraçosa sobre pedágios ao entrevistado José Serra durante o programa. Já Luís Nassif, sem maiores explicações, não teve seu contrato renovado com TV Cultura. Após permanecer apenas uma semana no cargo de diretor de jornalismo dessa mesma emissora, Gabriel Priolli foi afastado do cargo porque teria permitido a veiculação de uma reportagem sobre pedágios no Jornal da Cultura. É importante pontuar que a TV Cultura é pública e subordinada ao governo do Estado de São Paulo.

Outro caso recente, já abordado nesse blog (clique aqui para ler), foi durante a gravação do programa Jogo do Poder. Serra chegou a dizer à apresentadora Márcia Peltier que iria embora caso algumas perguntas não fossem suprimidas da sabatina.

Serra é assim. Fico a imaginar qual seria a sua atitude para com jornalistas dissidentes caso fosse eleito presidente da República. Se o leitor pensa em votar em Serra no dia 31 de outubro, assista aos vídeos abaixo antes de tomar sua decisão. E lembre-se também que os que hoje acusam o presidente Lula de ser contra a liberdade de imprensa poderão ser os censores de amanhã.

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